23 de abr de 2014

Eles tem o poder

Grande parte dos estudos sobre a relação entre evangélicos e mídia se notabilizam pela apreciação geral que fazem do assunto. Considerando a situação de pluralismo religioso e a sociedade contemporânea como mercadológica e a necessidade de se estudar o uso de diferentes mídias para propagação evangelística, pretendo aqui identificar as mídias religiosas que tem por motivação a livre concorrência e não a missão e o proselitismo.

De modo geral, nos estudos, sobre a relação evangélicos e mídia, a ênfase recai na possível influência dos veículos de comunicação em relação ao crescimento deste grupo, no discurso e posicionamento político que o grupo assume em suas mídias ou na concorrência entre igrejas proprietárias de empresas de mídia. Também é crescente o interesse sobre a relação entre evangélicos e televisão, por ser ainda, o maior meio de comunicação de massa , por envolver cifras elevadíssimas e é claro, pelas imagens fortes e agressivas que as igrejas usam.

Há pelo menos duas décadas os evangélicos vêm despertando interesse de variados segmentos de nossa sociedade, principalmente da mídia, por estarem estes assumindo diferentes posições e investidas no campo religioso.

Cita-se aqui o surgimento da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na década de 1980, sua inserção no campo religioso brasileiro e suas relações com a mídia, a atuação da bancada evangélica na constituinte de 1988 e o conseqüente crescimento de políticos evangélicos nas mais variadas eleições do país bem como o crescimento dos evangélicos em paralelo com o declínio católico apontado nos censos do IBGE.

Fato é que esse tipo de evangelização ganha maior ênfase ante a uma sociedade que "ensina" através de seus meios de comunicação que o mais importante na vida é consumir. As pessoas "educadas" nessa cultura de consumo fazem do consumismo o sentido último da vida. Quando não conseguem satisfazer o desejo de consumo e nem perceber que tais valores não são humanizantes e espirituais, procuram igrejas e religiões para pedir a Deus que lhes abençoe com mais capacidade de consumo. Assim, acabam confundindo a excitação do consumismo com experiência espiritual ou com bênçãos divinas e fazem de Deus e da religião instrumentos para o enriquecimento – teologia da prosperidade.

A religião da satisfação dos desejos penetrou profundamente no protestantismo e também no catolicismo, estando na base das novas religiões holísticas. O objetivo é sempre o bem-estar individual.

Hoje A IURD tem a terceira maior rede de TV do país, a Rede Record, composta por cerca de 30 emissoras de televisão; a Igreja Assembléia de Deus opera uma rede com duas emissoras e dezenas de repetidoras no norte do país, a Rede Boas Novas; A Igreja Renascer em Cristo opera, em São Paulo, a Rede Gospel de Comunicação e tem também canal via satélite para todo o Brasil.

Até R.R Soares, cunhado de Edir Macedo, iniciador da Igreja Internacional da Graça de Deus, que tem uma exposição de 60 horas semanais na TV aberta, já tem seu próprio canal – a RIT TV. Recentemente, outro remanescente da universal passou a usar a TV como meio de “evangelização”. Trata-se do ex bispo e ex amigo pessoal de Edir Macedo, Valdemiro Santiago, que vem ocupando seu espaço na TV aberta com horários pagos, e que vou me resumir dele por aqui, por que falar de Valdemiro dá até uma monografia.




Referência:

T. W. ADORNO, & M. HORKEIMER, Dialética do..., 1995; N. LUHMANN, A improbabilidade..., 1996
José Comblin em O Caminho - Ensaio sobre o seguimento de Jesus

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