11 de mar de 2014

E não há nada oculto, que não seja revelado

Por Priscila Gama

O titulo desse texto faz referência ao livro de Lucas, capitulo 12, versículo 2. Está nas paginas do Novo Testamento, ao qual agora Sérgio Viula desabona e descrê. Mas quem é Sérgio Viula? Você pode estar se perguntando.

Trata-se de um dos fundadores do grupo MOSES - Movimento pela Sexualidade Sadia, ONG evangélica que tem como objetivo ajudar pessoas que desejam deixar de ser gays. Ainda adolescente Sérgio aderiu ao programa de restauração e abandonou a homossexualidade. Casou-se, teve dois filhos e acompanhava de perto os métodos de reorientação sexual usados pelo MOSES. Bom, talvez você ao menos soubesse da existência de tal grupo, o que nesse momento fica totalmente em segundo plano.

Sérgio, que teve seu primeiro relacionamento homossexual aos 12 anos e aos 16 ingressou em uma igreja neopentecostal, passando depois para uma igreja batista, aonde chegou a ser pastor, resolveu sair de vez do sufoco de uma vida de negação de si mesmo. Criticado e evitado na comunidade evangélica, hoje ele diz não se importar mais “Nem Deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. Por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque”.

O ex-pastor e teólogo trabalhou no MOSES de 1997 a 2003 e hoje acredita que ações em busca da mudança de orientação sexual não funcionam e apenas causam dor a quem se submete a elas. Agora, é um crítico do grupo que ele mesmo criou: “Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas dificuldades, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay”.

Hoje ele acredita que apenas enganou a si mesmo pensando que sua atração por pessoas do mesmo sexo poderia desaparecer apenas com orações e dedicação a Deus.

“No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado. Para isso fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendava certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente”, relembra.

Depois de 18 anos envolvido com a igreja evangélica, Sérgio resolveu se assumir gay de vez após uma viagem à Cingapura, quando ficou com um filipino.

Ele lembra que não foi fácil se desligar, “Houve perseguição por parte do MOSES, muita gente ficou em choque. Mas meus filhos nunca criaram problemas”, conta.

Em 2010 ele lançou o livro “Em busca de mim mesmo”, onde relata que “sair do armário” foi a decisão mais acertada da sua vida, e pretende contribuir para que outras pessoas façam o mesmo, principalmente aquelas oprimidas por motivos religiosos”.

Questionado sobre o que diria aos gays que buscam ajuda nas igrejas ele é enfático: “Conversão religiosa que não admite sua homossexualidade não merece seu tempo e talento”.

Para quem um dia escreveu estudos de teor fundamentalista, e foi veemente combatente de qualquer ação em prol da homossexualidade, Sérgio é um belo ‘tapa na cara’, é a casa em ruínas. É a mosca na sopa dos membros da MOSES que agora convivem com a refutação viva de que seus métodos são ineficazes e perversos.


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