3 de out de 2014

Nazifascismo pós-moderno e gospel, à brasileira


Desde 1891, quando o catolicismo deixou de ser a religião oficial do país, as instituições religiosas participam do debate público, quase sempre, fundamentando inúmeras posições com base na fé e na doutrina.

Essa semana, o pronunciamento de um dos candidatos à presidência da república, Levy Fidelix, chocou grande parte da população, em contrapartida, ganhou forte apoio de uma parcela considerável de brasileiros que, por regirem suas vidas pela religião, não compreendem que isso não cabe a um estado laico. Isso não significa, porém, que aqueles que professam determinada religião não tenham direito de exercer sua cidadania, expressar sua opinião. O problema é quando a opinião extrapola a liberdade e o direito do outro, e pior, estimulam a violência e o preconceito.

As minorias, que segundo Levy Fidelix devem ser ‘combatidas’ pela maioria, já tem sido alvo de combate há muito tempo. Foi assim com os judeus, na Alemanha. Com os negros, na África do Sul, e com tantas outras minorias massacradas e dizimadas ao longo da historia. A bola da vez são os homossexuais.


O que Levy (ano) Fidelix e todos que compartilham de sua ‘opinião’ precisam compreender é que o debate público não comporta o pensamento religioso, pois questões de convicção pessoal não podem servir como baliza para decisões que envolvem toda uma sociedade — que inclui também ateus, agnósticos e pessoas das mais diversas religiões. E ainda que fossemos uma nação puramente cristã, que tipo de cristianismo defenderíamos? Que passagens das escrituras deveriam instruir as nossas políticas públicas? Deveríamos escolher o Levítico, como citou a moça no post acima, revelando pontual terrorismo e apologia ao assassinato de homossexuais? Ou deveríamos escolher Deuteronômio, que sugere apedrejar seu filho se ele se desviar da fé?

Sim, você pode até não concordar com a homossexualidade, mas se você pretende que sua opinião seja aceita numa sociedade tão pluralista como a nossa,  não poderá recorrer aos ensinamentos de sua igreja ou ao que a bíblia diz a esse respeito. A democracia e o Estado laico exigem que você explique por que a homossexualidade viola algum princípio que é aceitável a pessoas de todas as crenças, incluindo aqueles sem fé alguma. Que tarefa árdua para um crente, não é mesmo? Ainda mais para estes, que rezam na cartilha de malafaias, felicianos e bolsonaros e que geraram esta criatura, chamada Levy Fidélix,  uma personificação pós-moderna de Hitler.

É claro que a comunidade LGBT e todos que tem o mínimo de bom senso nesse país não concordaram e repudiaram as palavras do presidenciável, agora, eu tive a infelicidade de ver e ouvir pessoas próximas a mim, concordando em gênero, número e grau.

Os heterossexuais cristãos ‘defensores da família’ chegam a falar em ‘perseguição’, que a cassação do candidato é uma arbitrariedade, que os gays querem criar uma ditadura gayzista, e que querem dominar o mundo (oi?).  Os homossexuais são uma espécie de capiroto feat.  besta fera do apocalipse e estão planejando erguer o que eles chamam de ‘nova ordem mundial’.

Agredir, ofender e matar agora são 'bons costumes' ou 'defesa da família'. Eu pergunto: a de quem? A minha que não é! São atitudes como essas que reforçam a URGÊNCIA de uma lei de criminalização da HOMOFOBIA.

Como bem expressou o filosofo Paulo Ghirardelli, “A reação da comunidade LGBT é diretamente proporcional ao ataque sofrido. Pede-se ‘processo’, mas na verdade o que se quer é linchamento. Assim foi Fidelix em relação ao gays: ‘fora da sociedade, gays!’. E assim foi em idêntica medida, a reação a Fidelix: ‘fora do mundo, Fidelix!’. Estamos montando vagarosamente um pequeno fascismo na alma de cada um”.




Ref. Disc. Barack Obama

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